segunda-feira, 21 de maio de 2007

sumidouro

Desde que eu me entendo por gente, perco tudo. Perco sapato, perco brinco, perco diploma de segundo grau, perco remédio, perco a paciência. De uns tempos pra cá, andei reparando que não sou eu quem perde tudo: aqui em casa tudo some. Coloco um sanduíche na tostadeira e ele some. Faço o fichamento de um livro e ele some. Separo uma blusa para vestir e ela some. O pote de linhaça some. A pen drive some. As abóboras do jardim somem. E até meu caderninho de invenções, que não serve para ninguém, acabou de sumir.

Tudo dos meus irmãos some também. Minha irmã, então, nem se fala. Outro dia sumiu o edredon dela. Ela comprou um edredon gigantesco, de casal, para ficar bem afofada ali dentro. E não é que o treco sumiu? Ela acordou e não achou mais. A gente já tentou ter um cachorro, mas não deu, em dois dias o pastor alemão tinha sumido. Tudo some tanto que a gente descolou uma simpatia pra achar as coisas. É o São Longuinho. Basta pegar a imagem do santo e falar: São Longuinho, São Longuinho, se eu encontrar o que estou procurando, dou três pulinhos. Funcionou muito bem, até a imagem do santo sumir.

Achei que esse tinha sido o auge, mas não. Meus irmãos deram um churrasco e sumiu um convidado. A mãe do menino veio aqui reclamar, botou o nome do moleque na lista da polícia de pessoas desaparecidas, e nada.

Dia desses estava na rua e encontrei com uma amiga que não via há muito tempo. Ela: "Mas você está sumida, hein?". Fiquei com medo. Será que serei eu mesma a próxima vítima?

2 comentários:

Juju disse...

ja pensou que esse problema do sumidouro pode ser o que sempre faz o pao da casa do joao sumir?

ninguém roubou, sumiu!

Juju disse...

ai. isso pode acabar com a vida de muitas crianças,milhares de viagens em onibus escolares. nao, melhor nao pensar.