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quinta-feira, 10 de março de 2011

Minha letra predileta no idioma espanhol é a Ñ.
Ñ, de cariño.
E de ñaca, uma palavra que acabou de existir. Importei.

terça-feira, 8 de março de 2011

Apanhar e praticar

Momentos de inconformismo profundo aqui na minha varanda me valem um ou outro parágrafo.

Não entendo quem "apanha" chuva. Coisa mais gostosa é isso de pegar chuva. Deixar molhar, bem clichê, bem romântico, sentir o pingão grosso pesar quando estala na cabeça. Apannhar chuva? Como se fosse um chicote no lombo? Minha total discordância. Ou se pega chuva, ou abre um paráguas. Apanhar: sou contra, mesmo em casos molhados.

Preços praticados: outra expressão ininteligível. "O Brasil pratica preços muito altos." Não tenho nenhum comentário econômico a fazer, mas, veja bem, praticar está mais pra frescobol do que pra preços. E frescobol é algo muito sagrado para se confundir com questões monetárias dantescas.

Com isso, dou por encerrado o protesto.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nutro especial ódio por pessoas que metem palavras e expressõem em inglês em qualquer frase, como se isso fosse fucking-cool-super-hype. Esnobismo sem criatividade, muito em voga por essas bandas. Se fosse alemão, levaria mais a sério.

Minha única concessão ao estrangeirismo fica por conta da palavra pillowcase.

Simples: eu não gosto de fronha. Não do objeto, mas da palavra. Nem o som cai bem.

Algo que abriga, o case, é mais poético, mais aconchegante. Fosse eu um travesseiro, adoraria poder contar com um lençol próprio, feito para o meu tamanho, em que eu me enfiasse à noite.

Isso fora o fato de que fronha parece xingamento. Parecido com almofadinha.
Enfadadas fronhas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Algarismo

simbolismo, altruísmo, surrealismo,

algarismo.

(Não sei bem o que pensam as algas, mas gosto mais delas. Algarismo.)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Aprendi um verbo novo com umas pessoas de dezenove anos. São muito invencionistas essas pessoas de dezenove anos.
O verbo é
Pelasaquear.
Já conhecia o substantivo péla-saco, mas não o verbo, e não encontrei dificuldade para aplicar. Ô. Na verdade, ele estava nas arestas do meu cérebro, eu só não tinha reparado.

Exemplos:
O aluno pelasaqueia o professor todo dia.
Po, a Lis me pelasaqueou usando esse vestido.

Fim.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

bulha

Adorei a palavra que eu aprendi hoje. Bulha. Parece lilás. Já gostava de pulha, mas bulha também é sedutor.

bulha
bu.lha
sf (cast bulla) 1 Confusão de sons; ruído. 2 Altercação, briga, desavença. 3 Desordem, motim.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

marsupial

Marsupial.
Adoro essa palavra.
Trocaria meu nome por ela.
Trocaria todos os nomes do mundo por ela.
É como um sopro desviado.
Clara toma café sem açúcar na xícara que suja a mesa.
Marsupial toma café sem acúcar na marsupial
[a parte que suja eu teria que tirar, não combina com marsupial].
Vou tentar outra frase assim que a gripe acabar.

terça-feira, 30 de junho de 2009

palavras que descrevem uma cólica:

agulhada
dor
torce
contorce
pontada
latente
nada
dor
nada
calmavaipassar
cansaço
explosão
zumbido
contínuo
fininho

é,
não se pode ter cólica em alemão.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Pá: ferramenta composta por um cabo e um recipiente depositário, utilizado para enterrar os mortos, desenterrar ossos, colocar areia no baldinho e plantar um pé de feijão.

Outros usos dados ao termo, recentemente escutados:

"Saí com a menina e pá."
"Daí você pega Sartre e pá, pá, pá, só no existencialismo."
"Você pega a primeira a direita e pá, pá, para aquele lado, e já chegou."
"Comigo não tem essa. É pá-pum."

Ou seja,

Pá: aquilo que não se sabe dizer. Substituto universal de todas as palavras.

(e mais respeito com os mortos, por gentileza).

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ensaio sobre as reticências

De todos os sinais de pontuação, são elas, as reticências, as mais instigantes.
Ao contrário do ponto, da vírgula, da interrogação, e até mesmo da exclamação, elas só existem no plural - como Vinícius, Rubens, parabéns e lápis. E eu adoro coisas que só existem no plural (fosse maior o meu despudor, mudaria meu nome para claras). Ainda que algumas pessoas usem a exclamação sempre no plural, normalmente em grupinhos de três, o fazem por desengano: o trio é uma propriedade das reticências, que, como piranhas de água doce, não sabem viver separadas.
As reticências afirmam, berram, pausam e, principalmente, duvidam. Daí a dificuldade de aplicação das três bonitinhas. São tantas as possibilidades que elas sugerem que é melhor eliminar algumas. Fazendo os devidos cortes, manipulando as informações aqui e ali, pronto, o ponto cai melhor. Ou a vírgula. Quem sabe um honestíssimo ponto e vírgula (esse também, cabe dizer, tem um parentesco com as reticências).
A exemplo da teoria da montagem cinematográfica de um russo cujo nome me escapa, me ocorreu algo como uma teoria da montagem das reticências, que comecei a fazer e, para variar, enfiei na gaveta.

Enfiei as reticências no mesmo lugar em que repousam a ovelha elétrica, um velho de Botafogo e um pianista de escuridões. Lá está melhor que cá, foi o que me disse o vendedor chinês do podrão de salgadinhos, querendo sair.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Reforma ortográfica, uma ova.
Há coisas muito mais bonitinhas a se fazer com a língua portuguesa.
Eu prefiro falar camião
e o rins
e no meu acordo ortográfico todo mundo fala ih, lá vem o camião, justo agora que senti uma pontada no rins.

Logo estaremos todos unificados.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O bocejo

O bocejo

O bocejo é o entreabrir da boca que denota sono.
Quer dizer, quando o bocejo nasceu , a ele comunicaram que só deveria se manifestar quando o sujeito sentisse sono. Mas hoje em dia, coitado, aparece em qualquer situação, menos quando a pessoa está com sono. Olavo bocejou em uam rave, no meio da multidão, u-rrú!, todos de bracinhos para cima, balançando a cabeça, tu-ti-tu-ti. Já Tânia bocejou bem no instante em que o professor chegava ao ápice de sua explicação sobre o sujeito pós-moderno. E Rita, imagina só, não só bocejou como caprichou no suspiro ao escutar do namorado a explicação sobre a viagem de fim de ano.

O bocejo está preocupado mesmo é com o seu contágio, que anda rápido demais. Ele bem sabia que quando aparecesse chamaria imediatamente uma porção de seres como ele. Só não sabia que a velocidade seria essa. Outro dia mesmo, no cinema, o bocejo se surpreendeu ao ver a quantidade de irmãos que encontrou em uma mesma cena. Era um desfile: um maior que o outro. E também se preocupou com o contágio rápido nas plenárias do planalto, nos escritórios e até mesmo nos inferninhos, em que supostamente o contágio de bocejos seria o menos preocupante.

O bocejo está pensando em tirar férias. Glória ficou preocupada, pois não consegue viver sem bocejar.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dicionário dos carinhos mais preciosos

Formiguinha nas costas - essa modalidade de carinho foi criada nos anos 1850 e consiste em simular formigas com as pontas dos dedos, fazendo com que elas passeiem nas costas do acarinhado. Dica: não passar de 150 formiguinhas, para não provocar pânico.

Massagem no pé - velha conhecida no mundo oriental, a massagem no pé era utilizada nos primórdios para desfazer problemas de saúde, como tumores no cérebro e gastrites. Agora passou a ser utilizada para adormecimentos e também para fins eróticos. Dica: cuidado com unhas encravadas.

Belisquinhos na orelha - carinho ambíguo e criado recentemente, provavelmente em 1912 (ainda há divergência entre os antropólogos). Consiste em apertinhos pontuais e em intervalos precisos aplicados na orelha. Dica: tire os brincos e piercings antes. Metais não sentem muito bem o carinho.

Cafuné - o mais simples e mais fundamental doa acarinhamentos, e também o que tem o nome mais bonito de se pronunciar. Para ser executado demanda apenas dedos e cabelo. Dica: proibido contar o tempo, cafuné é o único ser vivo que não conhece relógio. E, sim, carecas também são válidas.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

tem uma formiga embaixo da vírgula.

a formiga admiradora de Saramago me faz escrever grandes parágrafos sem pausa para respiração.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Quero conhecer o antônimo de drible.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Minha amiga disse que era caolha e apátrida.

Céus. Nunca tive uma amiga com tanto A nos adjetivos.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

o tédio

Proclamo-me contra a palavra tédio. É uma contradição em forma de letras. Vai da tensão ao extremo alívio, do grito à resolução: como poderia, então, ser enfadonha como se propõe? Para pronunciá-la, temos que abrir a boca com um certo sorriso, colocar a língua entre os dentes da frente, concentrar-nos e então té, imprimir um primeiro ruído de força, como um grito de desepero, ou uma lembrança de agonia. E depois, algo imperceptível, um dio arredio e acomodado, como uma solução tomada que é há muito sabida. Muitas transformações para as cinco letras da modorra.

A palavra inconstitucionalissimamente, que me gabava de conseguir falar aos seis anos, parece mais adequada. Vou promover a substituição: em vez que falar, que tédio, direi, que inconstitucionalissimamente!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

gogouar-se

A incrível saga
do verbo irregular reflexivo de primeira conjugação
que caiu na era da pós modernidade:

eu me google
tu me goolgas
ele te goolga
nós vos goolgamos
vós nos goolgais
eles se goolgam

(e todos continuam sem saber quem são.)

sexta-feira, 21 de março de 2008

Meus amigos da sétima série

Luciana Almeida
Fazia experiências inusitadas com contrações e conjugações verbais.
- Num dá patu botar uma roupinha mais bonitinha, não? Tu inda se lasca com essa mania de preto.

Alice Silva e Silva
Utilizava inserções estrangeiras a cada vírgula, caprichando no biquinho.
- Sabe o que é, darling, você fica muito dark dessa maneira. A onda agora é o mega-hype-gothic-punk. Seja cool. Sweetheart.

Juca Teles
Não abria mão do formato escrito da narrativa, mesmo se estivesse só de sacanagem.
- Pois bem, não me furto de certo desgosto com essa sua calça justa e modorrenta. Sua energúmena.

Luli Ludmila
Usava fofa como vocativo, apenas alternando com amigaaa.
- Fofa, me ensina uns truques de magia negra? Dizem que é bárbaro, não é, amigaaaa?

sábado, 1 de março de 2008

fado

hoje acordei com vontade de compor um fado.
meu fado era enfadonho
e me deixou enfadada
(talvez um pouco fagocitada)
me apoiei em uma almofada
e pedi ao fado uma carta de alforria