sexta-feira, 11 de maio de 2007

A língua que me prende

Estou presa. Estou presa pela língua portuguesa. Choro em português, chovo em português, grito em português, abomino em português, escrevo em português. Sou o que sou porque essa é a minha língua mãe. Mátria, pátria, frátria. Ela é o signo absoluto em que as coisas se materializam em meu cérebro. Se penso através dela, estou moldada a ela.
Isabel Allende mora hoje nos EUA e é casada com um americano. Ela disse certa feita que não conseguiria jamais falar coisas bonitas para ele em outra língua que não o espanhol. Quer prova maior da prisão ideológica da língua? Também seria impossível para mim dizer I love you. Nem mesmo o tão caliente te quiero.
Estudar outra língua realmente faz nascer outra alma. Aprende-se outro processo de pensamento, é quase como atuar.
Deve-se reaprender o português. Saber gramática ao ponto, para errá-la al dente, já dizia o poeta.

Um comentário:

Juju disse...

Faz nascer outra pessoa, de verdade. Mas tambem liberta de amarras que a gente nem sabia que tinha.