terça-feira, 3 de julho de 2007

uma canção, um comentário

Canção:

Atirei o pau no gato

Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to
Não morreu-rreu-rreu
Dona Chica-ca
Admirou-se-se
Do be-rro
Do be-rro
Que o gato deu
Miau!



Comentário:
Essa é uma das músicas mais populares da infância. Depois dizem que a TV coloca violência e pornografia na cabeça dos pequenos. Olha só que coisa horrível: O cara atirou o pau no gato. Mas ele atirou para matar, porque depois ficou puto que o gato não morreu. Ele até procurou outro pau para tacar no gato, mas não achou, vai ver ele tava em São Paulo, onde não nascem árvores. Daí o aprendiz de assassino tava lá olhando pro gato, puto da vida que o animal estava vivo, quando chegou a dona Chica. Dona Chica ouviu o berro do gato. E o que ela fez? Admirou-se. Pensa que foi socorrer o gato, chamar a Suípa? Que nada. Ficou só se admirando, admirou-se-se, intensamente. Numa boa. Quanta inércia.

Essa música tem uma questão formal muito intrigante. Por que todos os finais de frase são repetidos? Pra irritar? Falta de criatividade? E o miau, que é o mais legal, não se pode repetir. Muita sacanagem.

Minha prima me ensinou a versão politicamente correta dessa música. Não sei o que é pior. Vejam só: "Não atirei o pau no gato/ pq isso/ não se faz/ o gatinho/ é nosso amigo/não devemos maltratar os animais." Ai meu Deus! Vou bolar uma versão meio termo. Assim não dá. Quase defendo a versão sanguinolenta.

Um comentário:

Bá disse...

Eu sei outra versão:
Não atire o pau no gato-to
pois o gato-to
é nosso amigo-go
não maltrate-te
os animaaais
não maltrate
não maltrate
os animais

Ensinado na escola de formação de mongos