sexta-feira, 14 de setembro de 2007

o velho engolidor de insetos

o velho não sabia se me fitava com curiosidade, ou se me dizia o que tinha para dizer. enquanto pensava, tateava a parede, pegava com força e engolia um dos muitos insetos que se arrastavam pelas paredes daquele sobrado colonial.

afinal balbuciou alguma coisa. me diga logo o que quer que eu adivinhe, eu não estou aqui de brincadeira. e engoliu uma traça.

meu coração sobressaltou. como aquele velho sabia que eu estava desejoso de uma adivinhação? quem adivinha a vontade de adivinhar bom adivinhador será. sempre quis que alguém proclamasse o meu futuro para eu mesmo não ter trabalho de ir adivinhando a minha vida ao mesmo tempo em que construo. dá trabalho pra cacete. você devia ter nascido com manual de instrução, minha ex sempre dizia isso. amassei uma formiguinha entre o indicador e o polegar e pensei, ainda se fazem bons pais de santo nessa merda de país. enquanto me livrava do inseto e limpava o sangue na camisa, fiz a pergunta ao velho.

2 comentários:

Gabriela disse...

Para ser um adivinhador o cara tem que comer insetos. Mas não é qualquer inseto porque o Pumba comia insetos e não saía do Hakuna-matata. Então, pra NÃO ser um adivinhadorzinho de meia tigela, é necessário ter predileção por vaga-lumes. É, pirilampos. E tem que conseguir engolir o bicho vivo. É tiro e queda: quando "as vesículas especiais do inseto emitirem luminescência" a adivinhação aparece. Clarinha, clarinha...

Juju disse...

Boa a da Gabi, hein?