quinta-feira, 15 de maio de 2008

Querida Célia,

Agradeço sua carta e os desejos de melhora. A simpatia da sua avó me ajudou: tenho mentalizado gemada todo dia antes de dormir e isso me dá um tremendo alívio. Ontem mesmo recebi um e-mail que dizia: o ovo frito voltou. Que alívio que me deu! Finalmente! Já fazia um tempo que aquele ovo tinha sumido da minha gaveta, achei que ia passar todo o resto da minha existência sem ele. Logo aquele, que tanto demorei para chocar.

Pode parecer estranho, eu sei, não fique assustada, querida Célia. Você ainda é novinha, não sabe o que é ser uma galinha bloqueada. Desde que comecei a ter levas mais demoradas, passei a armazenar meus ovos em uma gaveta, aqui em casa, perto do computador, para ter uma reserva. Não guardo na granja não: tem muita galinha invejosa, Celinha, você se prepare. A roubalheira de ovos anda grande hoje em dia. Se a clara é rija, então, nem se fala. Mas está cada vez mais difícil armazenar os ovos, hoje em dia estão tão revoltadinhos... uns queriam ter virado pinto, outros omelete, e acabam dando um jeito de fugir da gaveta para tentar cumprir o que acham que é a sina deles. Foi o que aconteceu com esse ovo frito de que lhe falo. Enfim, agora ele voltou e me deixou mais feliz. Sinto até que posso sair dessa minha fase de bloqueio.

Um afago em todos. E mande notícias.

Dinorá

Um comentário:

juju disse...

Dinorá,
me comovi com a volta de seu ovo frito.
O meu, pochê, não dá notícias há tempos, já quase perdi as esperanças. Fiz uma grande caixa para guardar os outros ovos, para que não fujam também. Ou queiram bailar com más companhias e se transformar em panquecas ou bolos.
Deus me livre só de pensar nisso.
Você poderia me fazer o favor de dar um recado à Célia e pedir que ela me conte a simpatia da gemada com detalhes?
Ansiosa pelo fim do bloqueio,
Carmem.