segunda-feira, 4 de maio de 2009

Chorar não faz sentido

Chorar não faz sentido.
Não digo que não faz sentido porque as razões do choro não valem a pena; cada um que julgue seus motivos, ora.
O que não faz sentido é o sujeito ficar angustiado, triste, muito deprimido e, no ápice da tristeza, sair água do olho.
Você fica triste e sai água do seu olho. Não encaixa.
Acho que um substituto mais coerente para o choro seria a pedra no rim. Você fica triste, muito triste, e começam a acumular pedras no seu rim (que depois são expelidas, quando a tristeza vai embora). Ou, melhor, o crescimento desenfreado das unhas. O sujeito se desespera e lá vão as unhas, crescendo sem parar.
O que não dá para entender, definitivamente, é essa aguinha que embaça tudo. Salgada, ainda por cima. E sem trema.

*
Infelizmente, terei que continuar dando crédito ao choro. Tudo por causa da fala mais bonita de Pluft, o fantasminha, peça clássica da Maria Clara Machado. Pluft vê Maribel chorando e diz à Mãe Fantasma: Mamãe, a menina está colocando o mar todo pelos olhos!
Pelo Pluft, continuemos chorando. E não com unhas enormes. Que poderiam até ser divertidas.

2 comentários:

fmaatz disse...

esse texto é bem bonito.
e triste, de certa forma.
estranho não ter vários comentários aqui.
parece um texto menos ovelha e mais clara. bem, meu pitaco é esse.
duca.

anapaulañbandi disse...

Adorei seu texto, de genialidade sutil e encantadora.