segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

TOC

Alguns de meus autores prediletos dizem que devemos escrever sobre o que vemos.

Um prendedor de cabelo laranja, um marrom, os dois jogados no pé de um cavalete de pintura, que serve de apoio um recorte de jornal e dois convites de casamento, não sei porque esse cavalete continua aqui, eu nunca pintei, devia doar pra uma ONG, quem sabe assim me redimia dos meus pecados, um teclado ergonômico quebrado, uma caixa de pílula, um bilhete para eu não esquecer uma odiosa confraternização de fim de ano, um Borges, uma Colasanti, um livro teórico cheio de adesivinhos anti-rabisco, eu ainda prefiro riscar as páginas, uma caixa de ob, um saco de absorventes noturnos, quem deixou essas fraldas aqui?, eu jamais compraria um absorvente desses, uma xícara de café pela metade, uma folha de texto meu com correções e borrões de café, um copo de suco de amora, um coador, uns CDs de rock empilhados, um brinco sem par, uma tabela de conjugação de verbos em alemão, umas formigas passeando, já não passei inseticida aqui?, de repente essa é uma nova espécie, um porta-canetas, uma web cam desconectada.


Invejo, como invejo, as pessoas que têm TOC de arrumação.

Um comentário:

Lia disse...

eu também invejo!! nem fala que quer doar o cavalete... eu vivo tirando ele da mesa, e vc sempre põe de volta! ahuahuahauhauuha! beijos!