sábado, 20 de fevereiro de 2010

caraca. voltei a escrever.

Onde se compra minério?
Me bateu uma vontade de construir uma ferrovia.

Por que as abelhas morrem quando picam?

Texto que eu fiz para um quadro educativo infantil de um lance na produtora em que sou roteirista, para ser ilustrado a la ilha das flores. Escrevi na ressaca do Carnaval. Nego adorou, mas não aprovou. Falaram que ficou ótimo, mas meio pesado para um infantil. Estou tentando entender.


Por que as abelhas morrem quando picam?


Abelhas são insetos que despertam medo, terror e muitas abanadas desajeitadas. O que pouca gente sabe é que esse ser inspirador de fantasias de Carnaval tem vocação suicida. Isso mesmo. Tal como Kurt Cobain, Virginia Woolf e Getúlio Vargas, abelhas também se matam. E sem se atirar de pontes, sem descarregar armas em seu corpinho listrado e sem tomar coquetel de remédios.

Quando é importunada por cheiros fortes, por vibrações sonoras, ou em qualquer situação em que se sente ameaçada, a abelha pica. E a picada se torna um ataque contra si mesma, pois o ferrão é o prolongamento do abdômen e rompe no momento em que ela abandona a vítima.

Pobre abelha: o crime não compensa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

No ônibus,
muitos conhecidos.
Mas eu tenho preguiça de falar, preguiça daquele Olá, como vai, toma um sorriso, eu vou bem, até já, toma um aceno.
Daí volto o rosto para baixo, finjo que estou dormindo.
E observo as varizes.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A palavra atrai o meu olhar.
Meus olhos viram intuitivamente para qualquer canto onde exista algo escrito.
Isso é tortura, mas, já que não tem jeito,

*
Apresento-vos as mais frescas visões que tive no 409, trajeto Horto-Botafogo:

1.
Aproxime o cartão - boas festas - aproxime o cartão - boas festas - cartão não identificado - aproxime o cartão - sem crédito - boas festas - favor recarregar - aproxime o cartão.

2.
Tudo peça ao homem da quarta fornalha.

*
Fornalha, até então, era a loja-podrão-disfarçado do Humaitá que serve estrondosas coxinhas com catupiry. Eficiente na tarefa de matar a fome na madrugada pós-noitada. Agora, posso pedir alguma coisa ao homem da quarta Fornalha. Estou aqui pensando no meu pedido. Será cruel.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Três novos personagens na minha prateleira.

Joanna, com dois Ns, adora pessoas com cara de soninho. "Ficam aconchegantes", relatou, enquanto a garçonete trazia o seu café.

Lobato, cujo prenome é desconhecido, coloca o celular entre as pernas enquanto está dirigindo e tem medo de pegar câncer no testículo caso alguém ligue. Mas nunca contou isso pra ninguém.

Pedroca, aparência de 31 anos, duas ex-mulheres e uma herança de tio-avó paterno, está aprendendo a mergulhar de cabeça. Por enquanto, só barrigada.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Me disseram que as rosas não falam.
Eu não acreditei.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

notas sobre Botafogo

Em Botafogo:

- Adoro a trilha sonora das lojas de colchão. Na Voluntários tem duas e eu passo mais devagar quando estou na frente delas. Acho muito estranho que não seja formada uma boate espontânea ali na frente, as pessoas se sacodindo com os travesseiros, as molas, os acolchoados de visitas. Ei, você prefere camadas? Ou molas? Tut-tut-tut. Esse aqui é bom, viu. Lá em casa durou sete anos. Tut-tut. As trilhas fervem. U-hu. Quase esqueço que estou empapada de suor, a caminho do trabalho e imediatamente me transporto para um fresco sábado à noite de julho, numa festa animada com cinquenta meio-conhecidos na pista. Dá vontade de se jogar nos colchões, pular naquelas cadeiras-sofás.
O único problema é que, para além da trilha sonora, as lojas só prometem um sono melhor, já que nós dormimos - ou deveríamos dormir - um terço do tempo de nossas vidas. O problema não é o sono, é o sonho. Eu queria sonhar melhor, mesmo que dormisse só uma meia horinha. Isso você promete também, dona loja de colchão?

- Na locadora do Estação, havia uma caixa de aparelho roxa no balcão. Olhei para os dentes de todas as atendentes, tentando identificar qual delas usaria aparelho móvel, e qual teria escolhido a caixa roxa. Não consegui descobrir pelos dentes. Fiz uma piadinha para que elas sorrissem e eu pudesse olhar melhor, mas não consegui. Frustração. Quando eu tinha treze anos, era muito divertido escolher a cor dos elásticos que colocaríamos nos aparelhos fixos, eu e meus amigos. Era como escolher uma peça de roupa, um perfume. Às vezes ainda aliso os dentes com a língua, procurando as pecinhas dos meus treze anos. Mas o dentista - maldito homem de branco - tirou pouco antes do maio em que completei quinze.

A caixa do meu aparelho móvel era laranja.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010, eu estou aqui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Aprendi um verbo novo com umas pessoas de dezenove anos. São muito invencionistas essas pessoas de dezenove anos.
O verbo é
Pelasaquear.
Já conhecia o substantivo péla-saco, mas não o verbo, e não encontrei dificuldade para aplicar. Ô. Na verdade, ele estava nas arestas do meu cérebro, eu só não tinha reparado.

Exemplos:
O aluno pelasaqueia o professor todo dia.
Po, a Lis me pelasaqueou usando esse vestido.

Fim.