terça-feira, 23 de março de 2010

Resenhas artísticas e intelectuais desse final de semana:

Deixa ela entrar: filmaço
Um homem sério: filmaço
O segredo dos seus olhos: não vi. Me roendo de.
Sunset Boulevard: pirateei três vezes. Presenteei amigos de trabalho.
Voluntários da Pátria: engarrafada mesmo no final de semana.
Pôr do sol no Arpoador: a existência vale a pena.
Desautorizada: palavra que ficou rocamboleando na cabeça.
Onetti: É o próximo.
Franny and Zooey: inspirador, desde sempre.

Resenha da segunda-feira:
A Net, pior empresa de todos os tempos, me cortou e não religa de jeito nenhum. Sem telefone e sem internet, fui obrigada a começar um conto.

sexta-feira, 19 de março de 2010

ready made

Se as palavras se tornam interessantes, ei-la, a literatura. Palavra que não emociona não interessa. Simples assim. Lição de escola de letras? Não, de pedinte carioca.

Já recebi várias vezes, em ônibus, na rua, um papelzinho assim:

Sou surdo e mudo. Não tenho trabalho. Qualquer trocado ajuda. Deus lhe pague.

Eis que ontem, nos Correios da Praia de Botafogo, um homem limpo e bem vestido me entrega em um A4:

Sou mudo. Meu tio alcoolizado me cortou metade da língua com uma faca afiada quando eu era criança. Eu escuto, mas não consigo falar. Por favor me dê dinheiro. Quero comprar uma carrocinha para trabalhar como pipoqueiro.

Incomparável. Há conflito, objetivo, história, detalhes na medida. Um homem sem língua que sonha ser pipoqueiro.

E também há muita miséria humana.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Coloquei um ponto final agora e não é que curti?

Bem diferentes dos poetas românticos, sonhadores delirantes que viviam em busca de uma mulher ideal, existiram os poetas malditos, que recebiam esse nome pelo comportamento desobediente e sem modos, à margem das boas convenções sociais. Fumantes inveterados, boêmios, viciados, largados, doentes, esses vagabundos da palavra tinham os bares como sua segunda casa. Rimbaud e Baudelaire, famosos poetas franceses, habitaram a linhagem dos malditos. Aqui no Brasil, Augusto dos Anjos e Torquato Neto estão entre os que largaram o veneno dos versos no papel. Para deleite dos leitores.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Fita Branca

Anteontem vi o A Fita Branca, badalado filme do Michael Haneke. Foi uma experiência cinematográfica estranha. Quando eu digo experiência cinematográfica, favor entender direito: é aquilo que começa quando compramos o ingresso, depois entramos na sala escura, vemos o filme, saímos. Mais ou menos isso (Ismail Xavier se rebolando todo com essa minha abreviação). Pois bem. Pra começar, eu e minhas amigas compramos o ingresso, depois resolvemos vender e mandamos um papo caótico na bilheteira, que, por ser xará de uma de nós, pareceu convencida do trololó. Eis que, cinco minutos depois, mudamos de ideia: compramos os bilhetes de novo. Urrando de fome, eu comprei um pipocão e estraguei no minuto seguinte, colocando meio quilo de adoçante, em vez de sal. Além disso, ápice do desconforto, o cinema estava um gelo. Como bem diagnosticou minha amiga, "rolou uma Sibéria". Eu tive que meter meus bracinhos na calça de ginástica que estava na bolsa para aguentar até o fim. Uma espécie de casaco marciano.

O filme, um drama fotograficamente muito bem resolvido, trata de uma série de crimes ocorridos na Alemanha do pré-guerra. Não sei se pela condição desfavorável do frio, o fato é que saí de lá sem gostar. Apesar dos personagens fortes, não me entusiasmou.

Não? O ser humano, por incrível que pareça, é humano, e muda de opinião. No meu caso, de um dia para o outro. Três cenas não saíram da minha cabeça. Vou escrever aqui o que lembro. Que fique claro que não são os diálogos do Hadeke, são os meus diálogos do Hadeke.

O menino, depois de fazer uma manobra de risco, atravessando uma espécie de ponte sobre um abismo:
"Dei a Deus a chance para me matar. Ele não me matou. Então eu devo ficar vivo."

O médico, humilhando a sua amante:
- Você fede. Tem mau hálito. É podre. É horrível.
- É o meu problema de úlcera, você já sabe disso.
- Eu só transo com você pensando em mulheres mais jovens, mais bonitas, com a pele boa.
- Você vai ter que me aguentar até o fim.
- Você não presta. Só que uma vez a cada dois meses é muito pouco para mim. Mesmo estando velho.

A menina, chorando resignadamente depois de ser estuprada pelo pai, para o seu irmão mais novo, um lindo menino de quatro anos:
Está tudo bem. Ele só furou a minha orelha. Dói um pouco.

Não dá pra dizer que o filme não deixou lastro em mim, embora gostar não seja o verbo apropriado. JP Coutinho explicou parte do descontentamento com maestria, em artigo publicado na Folha de São Paulo da última terça (não achei na web, para linkar).

Bem. Essa resenha ficou com um pouco mais de três palavras.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quero mudar de opinião.
Alguém me convence, por favor.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Resenhados

Estou com planos de inaugurar uma seção de resenhas literárias aqui no blog. Meus textos primarão pelo teor de análise teórica pós-moderna e simbólica, sem esquecer do marxismo utópico e das atuais correntes que celebram o relativismo absoluto.

Tudo isso em três palavras.

Bem-vindos, pois, às resenhas de três palavras.

Começo com as leituras que fiz ontem, entre 23h15 e 1h37, no sofá verde da sala. (Tenho que colocar uma capa nova. A verde esquenta muito. Mas dá pra ler mesmo assim.)

Êxodo, conto do Mario Benedetti publicado na última Piauí:
não embarquei.

All That, conto do David Foster Wallace, publicado na The New Yorker:
invejinha das boas.

Revistinha da Luluzinha Teen, episódio 1 da 3a. temporada, o mais fresco das bancas:
Beija logo, Bola!

Aos entusiastas do estruturalismo, não sei se prometo um embasamento mais furta-cor e cintilante da próxima vez.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Daí arregalou os olhos, espremeu um pouco:
Eu te amo.

Por quê?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nutro especial ódio por pessoas que metem palavras e expressõem em inglês em qualquer frase, como se isso fosse fucking-cool-super-hype. Esnobismo sem criatividade, muito em voga por essas bandas. Se fosse alemão, levaria mais a sério.

Minha única concessão ao estrangeirismo fica por conta da palavra pillowcase.

Simples: eu não gosto de fronha. Não do objeto, mas da palavra. Nem o som cai bem.

Algo que abriga, o case, é mais poético, mais aconchegante. Fosse eu um travesseiro, adoraria poder contar com um lençol próprio, feito para o meu tamanho, em que eu me enfiasse à noite.

Isso fora o fato de que fronha parece xingamento. Parecido com almofadinha.
Enfadadas fronhas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Algarismo

simbolismo, altruísmo, surrealismo,

algarismo.

(Não sei bem o que pensam as algas, mas gosto mais delas. Algarismo.)

Medinho

Tenho medo de praticamente tudo.
Trabalhar, perder o celular, deixar a menstruação vazar na roupa branca, não conseguir tirar o besouro que entrou na sala, ficar parada com o carro na linha vermelha.
Tento lembrar algo de que não tenha medo. É difícil.
Nos top five dos medos está escrever. Nem medo, é pavor. Eu tremo, reluto, sou uma cagona. De qualquer modo, continuo escrevendo.
O que mais gosto em estar com medo é saber que estou - daí vem a coragem, um rubor que nem demora a subir. Exemplo: não sei se conto isso ou aquilo para a minha analista. A dúvida dura cinco segundos: conta, sua besta, deixa de ser medrosinha, não vai encarar por quê? Daí vou lá e conto. E é bom. A mesma coisa com escrever: dá vergonha, não sei onde vou parar, mas, se estou apavorada, não posso recuar, tenho que ir adiante. É uma necessidade.
Adoro sentir medo.
Me amedronta?

*
Fiz esse post meio livro de auto-ajuda também para dizer que, na real, não me acostumo a redigir no twitter. Não pela restrição de caracteres, mas porque gosto de escrever sem me sentir lida. Aqui vale, eu tenho a página em branco, é minha, meu brinquedinho, não sei que olhar me vê. Lá não. Ainda me surpreende, depois de tanto tempo, perceber que tem gente que entra no Ovelhas, que comenta. Leiam escondidos, ok? Eu escrevo escondida. Pronto, fizemos um pacto.